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Dra. Marcia BaboMedicina Funcional Integrativa
Metabolismo e doenças crônicas

Pré-diabetes: o que o número do exame indica

O laudo disse que sua glicemia ou sua hemoglobina glicada está um pouco acima do normal e você ficou com medo de virar diabético? Aqui eu mostro o que cada valor quer dizer e o que fazer a partir dele.

Escrito por Dra. Marcia BaboClínica médica e hematologista · CRM-PR 65624
Revisado em outubro de 2026

Em resumo

Pré-diabetes é o nome dado quando a glicose está acima do normal, mas ainda abaixo do ponto que define o diabetes. Os critérios são glicemia de jejum de 100 a 125 mg/dL, hemoglobina glicada de 5,7% a 6,4% ou glicemia de 140 a 199 mg/dL duas horas após a sobrecarga de glicose. Em muitos casos o quadro é reversível com mudança de hábitos, e por isso é uma boa hora para agir.

Os três números que definem o pré-diabetes

O diagnóstico usa três exames, e basta um deles estar na faixa de pré-diabetes. É comum que um esteja alterado e os outros dois ainda normais, o que não invalida o resultado. Se o valor veio logo após um período de doença, estresse intenso ou dieta fora do habitual, repetir o exame faz parte do processo.

Esses valores são pontos de corte de consenso, e o laboratório pode usar uma faixa ligeiramente diferente. O que importa é a tendência. Uma glicemia de 99 mg/dL que sobe para 110 e depois para 120 em dois anos conta uma história que um número isolado não conta.

A hemoglobina glicada merece uma observação. Ela depende dos glóbulos vermelhos, então anemia, deficiência de ferro, deficiência de vitamina B12 e algumas doenças do sangue podem falsear o resultado, para cima ou para baixo. Quando o valor não combina com a glicemia, o hemograma ajuda a esclarecer.

No seu laudo

Glicemia de jejum

Quantidade de glicose no sangue após ao menos 8 horas sem comer.

Merece atençãoDe 100 a 125 mg/dL indica pré-diabetes. A partir de 126 mg/dL, confirmada em nova coleta, indica diabetes.

Hemoglobina glicada

Média da glicose nos últimos dois a três meses.

Merece atençãoDe 5,7% a 6,4% indica pré-diabetes. A partir de 6,5% indica diabetes.

Teste de tolerância à glicose (TOTG), 2 horas

Mede como o corpo lida com uma dose de glicose tomada em jejum.

Merece atençãoDe 140 a 199 mg/dL na segunda hora indica pré-diabetes. A partir de 200 mg/dL indica diabetes.

Por que a glicose começa a subir

Os motivos estão listados do mais frequente para o menos frequente. Em geral, mais de um está presente.

  1. 01

    Resistência à insulina que já não é compensada

    A maioria dos casos nasce aqui. O pâncreas vinha produzindo insulina a mais e começa a perder o ritmo, deixando a glicose escapar. Esse mecanismo tem sua própria página, porque pode existir antes mesmo de a glicemia se alterar.

  2. 02

    Idade e história familiar

    O risco cresce com a idade, principalmente a partir dos 40 anos, e é maior em quem tem pai, mãe ou irmãos com diabetes tipo 2.

  3. 03

    Sedentarismo e perda de massa muscular

    Sem estímulo, o músculo capta menos glicose. Ficar sentado por longos períodos pesa nesse quadro mesmo em quem faz algum exercício esporádico.

  4. 04

    Diabetes na gestação e ovários policísticos

    Quem teve diabetes gestacional, ou tem a síndrome dos ovários policísticos, entra num grupo de risco aumentado e merece exames de rotina mais frequentes.

  5. 05

    Sono insuficiente, apneia e estresse

    Dormir mal, roncar muito com pausas na respiração e viver sob estresse contínuo elevam a glicose e dificultam o controle.

  6. 06

    Medicamentos e outras doenças

    Corticoides, alguns diuréticos e certas doenças do pâncreas ou das glândulas endócrinas podem elevar a glicemia. Por isso reviso sempre os remédios em uso.

Quando procurar a médica

Procure avaliação se o pré-diabetes vier com algum destes sinais

  • Glicemia de jejum perto de 126 mg/dL ou hemoglobina glicada perto de 6,5%.
  • Valores que sobem a cada exame repetido.
  • Sede intensa, urina em excesso, visão embaçada ou feridas que demoram a cicatrizar.
  • Pressão alta, triglicérides altos ou HDL baixo junto com a glicemia alterada.
  • Diabetes na gestação anterior ou ovários policísticos.
  • Pai, mãe ou irmãos com diabetes tipo 2.
  • Hemoglobina glicada que não combina com a glicemia, sobretudo se houver anemia.
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Clínica médica e medicina funcional

O que eu faço com o resultado

Pré-diabetes é um aviso, e aviso dado a tempo muda o rumo. Meu primeiro passo é confirmar o número, entender qual dos três exames está alterado e verificar se algo está distorcendo o resultado, como anemia ou deficiência de vitamina.

Depois, olho o risco como um todo: coração, fígado, pressão, gorduras do sangue. Quem está nessa faixa tem risco cardiovascular maior mesmo sem ter chegado ao diabetes. A conversa na consulta é sobre o que dá para mudar na rotina da pessoa, de forma realista, e quando refazer os exames.

O que costumo avaliar

  • Repetição da glicemia e da hemoglobina glicada para confirmar o achado
  • Curva glicêmica (TOTG), quando os outros exames não esclarecem
  • Insulina de jejum e perfil de gorduras
  • Hemograma, ferro, ferritina e vitamina B12, que podem alterar a hemoglobina glicada
  • Enzimas do fígado e, quando indicado, ultrassom
  • Pressão arterial e risco cardiovascular
  • Sono, estresse, rotina de movimento e medicamentos em uso

O pilar do tratamento é a mudança de hábitos, com ajustes na alimentação, no movimento e no sono, definidos para a realidade de cada pessoa. Em muitos casos a glicose volta à faixa normal. Em pessoas de risco mais alto, o médico pode considerar também medicamento, avaliado caso a caso. Em qualquer cenário, o controle dos exames é repetido todo ano, ou antes se o médico indicar.

Onde eu atendo

Consulta presencial em Curitiba ou online, para todo o Brasil

Dúvidas frequentes

O que as pessoas mais perguntam sobre pré-diabetes

Este conteúdo é informativo e não substitui uma consulta médica. Os valores citados são referências gerais: o seu exame deve ser interpretado junto com a sua história e os demais resultados. Revisado por Dra. Marcia Babo, CRM-PR 65624, em outubro de 2026.

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