SOP, síndrome dos ovários policísticos: diagnóstico e o que ela muda no metabolismo
Recebeu o diagnóstico de ovário policístico, ou suspeita que tenha, por causa de ciclos irregulares, acne ou pelos em excesso? Aqui eu explico como a SOP é diagnosticada e por que ela pede um olhar que vai além dos ovários.

Escrito por Dra. Marcia BaboClínica médica e hematologista · CRM-PR 65624
Revisado em outubro de 2026
A SOP é uma condição hormonal e metabólica comum em mulheres em idade fértil. O diagnóstico exige dois de três critérios: ciclos irregulares, sinais de excesso de hormônios masculinos e ovários com aspecto policístico no ultrassom, depois de afastadas outras causas. Ter cistos no ultrassom, sozinho, não basta. Ela costuma vir com resistência à insulina, e por isso aumenta o risco de diabetes, colesterol alterado e doença cardiovascular ao longo da vida.
O que é a SOP e como ela é diagnosticada
Apesar do nome, os "cistos" do ultrassom são pequenos folículos em que o óvulo não chegou a amadurecer, e muitas mulheres os têm sem nenhum problema. O centro da SOP é um desequilíbrio hormonal e metabólico: os ovários produzem mais hormônios masculinos, os androgênios, e a ovulação fica irregular. A resistência à insulina, que é quando o corpo precisa de mais insulina para aproveitar a glicose, costuma participar do quadro e alimentar o ciclo.
O diagnóstico segue os critérios de Rotterdam, e basta que dois destes três estejam presentes: ciclos menstruais irregulares ou ausentes, porque a ovulação falha, sinais de excesso de androgênio, como acne persistente, pelos em excesso no rosto e no corpo e queda de cabelo no padrão masculino, ou aumento dos ovários com muitos folículos pequenos no ultrassom. Antes de fechar o diagnóstico, é preciso excluir outras causas parecidas, como alterações da tireoide, prolactina alta e um tipo de alteração das glândulas suprarrenais.
Na adolescência o diagnóstico é mais cauteloso, porque ciclos irregulares e acne são comuns nos primeiros anos depois da primeira menstruação. A condução do ciclo, da fertilidade e dos hormônios fica com a ginecologista ou a endocrinologista. O meu olhar é para o que a SOP faz no metabolismo e no risco cardiovascular.
O que costuma estar por trás e junto com a SOP
Os itens estão do mais frequente para o menos frequente. A causa exata da SOP não é conhecida, e vários fatores se somam, entre eles a genética e a resistência à insulina.
- 01
Resistência à insulina
Está presente na maioria das mulheres com SOP, inclusive nas magras. O excesso de insulina estimula os ovários a produzir mais androgênios, o que mantém os ciclos irregulares, a acne e os pelos em excesso. Muitas vezes não dá sintoma e é detectada só por exame.
- 02
Predisposição genética
A SOP costuma se repetir na família. Ter mãe ou irmã com ciclos irregulares, dificuldade para engravidar ou diabetes aumenta a chance.
- 03
Excesso de androgênios
A produção maior de hormônios masculinos pelos ovários, e às vezes pelas suprarrenais, explica a acne, os pelos e a queda de cabelo. Esses sinais mostram uma variação hormonal que tem tratamento disponível.
- 04
Inflamação discreta e crônica
Marcadores de inflamação costumam estar um pouco mais altos na SOP, e isso se soma à resistência à insulina no risco cardiovascular e na gordura do fígado.
- 05
Sono ruim e apneia do sono
A apneia do sono é mais frequente em mulheres com SOP e piora a resistência à insulina. Dormir mal também atrapalha o humor, a energia e o controle da glicose.
- 06
Outras condições que imitam a SOP
Tireoide alterada, prolactina alta e outras alterações hormonais dão ciclo irregular e sintomas parecidos. São menos frequentes que a SOP, e é por isso que o diagnóstico só é fechado depois de afastá-las.
Procure avaliação se houver algum destes sinais
- Menstruação que some por três meses ou mais, ou vem de forma muito esporádica.
- Sangramento vaginal muito intenso ou prolongado.
- Dificuldade para engravidar depois de um ano de tentativas.
- Pelos que aumentam rápido ou voz que engrossa, sinais que pedem investigação sem demora.
- Sede excessiva, urinar muito, escurecimento da pele nas dobras ou glicemia alterada.
- Ronco alto, sonolência no dia e pausas na respiração durante o sono.
- Tristeza persistente, ansiedade intensa ou pensamentos de se machucar: procure ajuda, e o CVV atende pelo 188.
Como eu acompanho a mulher com SOP
Não sou ginecologista nem endocrinologista, e o acompanhamento com elas segue sendo a base da condução dos ciclos, da fertilidade e do tratamento hormonal. O meu papel é olhar o que a SOP faz fora do aparelho reprodutor: insulina, glicose, colesterol, gordura no fígado, pressão, sono e inflamação.
A SOP acompanha a mulher por décadas, e o risco metabólico não aparece no ultrassom. Por isso eu proponho um acompanhamento regular, com exames escolhidos para o seu caso, trabalhando junto com a sua ginecologista ou endocrinologista para as decisões convergirem.
O que costumo avaliar
- Glicemia de jejum, hemoglobina glicada e insulina, quando indicado
- Colesterol e triglicérides
- Pressão arterial e risco cardiovascular
- Enzimas do fígado e sinais de gordura no fígado
- Função da tireoide e hemograma, com ferro e ferritina quando o fluxo é intenso
- Marcadores de inflamação
- Qualidade do sono e sinais de apneia, humor e sintomas de ansiedade
O tratamento é individualizado e depende do que a mulher quer e precisa: regular o ciclo, tratar a acne e os pelos, engravidar, proteger o endométrio e controlar o risco metabólico. A parte hormonal e ginecológica fica com a ginecologista ou a endocrinologista. Do meu lado, o foco é acompanhar insulina, glicose, colesterol, pressão e sono, e corrigir o que estiver alterado, sempre em conjunto com elas.
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O que as pessoas mais perguntam sobre sop (ovário policístico)
Este conteúdo é informativo e não substitui uma consulta médica. Os valores citados são referências gerais: o seu exame deve ser interpretado junto com a sua história e os demais resultados. Revisado por Dra. Marcia Babo, CRM-PR 65624, em outubro de 2026.
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