O que é ferritina
Ferritina é uma proteína que guarda ferro dentro das células, principalmente no fígado, no baço e na medula óssea. Pense nela como um armazém. Quando o corpo recebe mais ferro do que usa, ele guarda ali. Quando precisa de ferro para fabricar hemoglobina, retira do estoque.
O ferro leva oxigênio aos tecidos, participa da produção de energia nas células e sustenta o funcionamento do cérebro, dos músculos e do cabelo. Como ele faz falta quando está baixo e faz mal quando sobra, o organismo controla o estoque com cuidado.
Uma pequena parte da ferritina escapa para o sangue, e é essa que o exame mede. Em condições normais, a quantidade que circula acompanha o tamanho do estoque. É por isso que a ferritina virou o exame de referência para saber quanto ferro o corpo tem guardado.
Para que serve o exame de ferritina
O exame de ferritina é pedido, sobretudo, para avaliar as reservas de ferro. Costuma entrar na investigação de situações como estas:
- Cansaço, fraqueza e falta de disposição sem explicação.
- Queda de cabelo, unhas fracas e palidez.
- Anemia, ou hemograma com glóbulos vermelhos pequenos.
- Menstruação intensa, gestação, doação frequente de sangue ou cirurgia bariátrica.
- Suspeita de excesso de ferro, como na hemocromatose.
- Doenças inflamatórias e do fígado, nas quais ela funciona como marcador.
A ferritina costuma ser o primeiro número a cair quando falta ferro, bem antes de a hemoglobina diminuir. Por isso o hemograma pode estar normal e o estoque já estar vazio. Quando isso aparece no laudo, o passo seguinte é entender por que o ferro esgotou.
HematologiaFerritina baixa com hemograma normal: o que significa, as causas e como se investiga.Ler a página sobre ferritina baixa →Valores de referência da ferritina
Não existe um número único. A faixa de referência muda com o laboratório, o método usado, o sexo e a idade. Em geral, ela é mais baixa nas mulheres em idade fértil do que nos homens, porque a menstruação consome ferro, e sobe depois da menopausa.
Por isso, compare o seu resultado com a faixa impressa no seu laudo, e não com a tabela de outra pessoa. A unidade mais comum no Brasil é o ng/mL, que equivale a µg/L. Como orientação geral, usada na prática clínica e sempre dependente do laboratório:
- Abaixo de cerca de 30 ng/mL costuma indicar estoque de ferro baixo, e a deficiência pode causar sintomas antes de aparecer qualquer anemia.
- Dentro da faixa do laudo é tranquilizador, mas não afasta a deficiência de ferro quando existe inflamação ou sintomas.
- Acima de cerca de 200 ng/mL em mulheres e 300 ng/mL em homens, de forma persistente, pede que se entenda se há excesso de ferro de verdade ou apenas inflamação.
O limite inferior do laudo é construído a partir de uma população de referência, e não pelo ponto em que a pessoa deixa de ter sintomas. Há quem se sinta mal com uma ferritina que o laboratório marca como normal. Por isso eu leio o número junto com o hemograma, a saturação de transferrina e a história clínica.
ExamesFerro baixo com ferritina normal? Veja como ler a combinação dos exames de ferro.Ler a página sobre ferro baixo e ferritina normal: como ler a combinação dos exames →Por que a ferritina sobe com inflamação
A ferritina tem uma segunda função. Ela faz parte das proteínas que o corpo aumenta quando há inflamação, infecção ou agressão ao fígado, as chamadas proteínas de fase aguda. Nesses momentos o organismo retém ferro nos estoques, porque muitos microrganismos dependem dele para se multiplicar, e a ferritina sobe junto.
O efeito prático é que a ferritina pode aparecer normal, ou até alta, em quem tem pouco ferro e uma inflamação ao mesmo tempo. E pode estar alta sem nenhum excesso de ferro. Entre as causas mais comuns de ferritina elevada estão infecções recentes, gordura no fígado, alterações metabólicas e o consumo regular de álcool.
Para separar uma situação da outra, o exame é lido com a saturação de transferrina, o ferro sérico, o hemograma e um marcador de inflamação, como a PCR. Sozinha, a ferritina responde a uma pergunta que ela não consegue responder inteira.
HematologiaFerritina alta nem sempre é ferro em excesso. Veja as causas mais comuns e quando investigar.Ler a página sobre ferritina alta →Como se preparar para o exame
O preparo é simples, mas alguns cuidados deixam o resultado mais fiel ao que acontece no seu corpo.
- A ferritina em si não exige jejum, mas o ferro sérico, pedido com frequência junto com ela, costuma exigir, e o ideal é colher de manhã. Siga a orientação do laboratório.
- Avise o laboratório e o médico se usa suplemento de ferro ou polivitamínico. Pergunte se deve suspender antes da coleta, porque o ferro recente altera o ferro sérico.
- Informe se toma biotina, comum em produtos para cabelo e unhas. Ela pode interferir em alguns métodos de dosagem, e o laboratório orienta se é preciso parar alguns dias antes.
- Conte se teve febre, infecção ou doença recente. Nesses casos a ferritina pode vir elevada por causa da inflamação, e o resultado precisa ser lido com cautela ou repetido depois.
- Leve os exames anteriores para comparar. A tendência ao longo do tempo diz mais do que um número isolado.
Quando o resultado vem diferente do esperado, repetir o exame em outro momento, nas mesmas condições, muitas vezes esclarece a dúvida.
O que fazer com o resultado
A ferritina é um ponto de partida. Ela mostra o tamanho do estoque, mas não explica por que ele está assim. Ferritina baixa pede que se descubra para onde o ferro está indo. Ferritina alta pede que se separe inflamação de excesso real.
Em nenhum dos casos eu recomendo tomar suplemento de ferro ou mudar a alimentação por conta própria antes de entender a causa, porque o ferro em excesso também faz mal. Na minha prática em hematologia, esse é um exame que aparece com frequência mal interpretado, nas duas direções.
O melhor ponto de partida é levar à consulta o laudo, os exames anteriores, a lista de medicamentos e suplementos e a descrição do que você sente. Com isso, o número ganha contexto e deixa de ser só uma marca no papel.
Este conteúdo é informativo e não substitui uma consulta médica. Escrito e revisado por Dra. Marcia Babo, CRM-PR 65624, em 6 de outubro de 2026.

